Recortes de revistas, fotos, pôsteres, coleção de gibis, camisas e até uma toalha de banho. Não importa. Dona Maria Benedita da Mota guarda com carinho qualquer material sobre Ronaldinho Gaúcho. Fã incondicional do camisa 10 do Atlético-MG, a moradora de Mogi das Cruzes, cidade da região metropolitana de São Paulo, coleciona tudo sobre o jogador. A paixão é tanta que, além de achar o dentuço "bonitão", a avó de oito netos considera Ronaldinho mais um de seus filhos.
- Contando com o Ronaldinho, tenho dez. Ele cresceu enquanto meus filhos cresciam, então eu também o considero um filho. E assim como peço proteção para os meus, também peço para ele - diz ela.
Filho mais novo, Nadim da Mota faz o jogo da mãe fanática. Torcedor do Corinthians, como toda a família de dona Maria, ele afirma que o craque faz parte dos Mota. Mesmo que seja por medo de um castigo.
- Tem que considerar como irmão, se não ela fica brava, fecha a cara. Mesmo sem conhecer, sem nunca ter visto, ele é mesmo meu irmão - garante o caçula.
Paixão pelo 'toquinho de gente'
A paixão por Ronaldinho Gaúcho surgiu quando o atacante ainda dava os primeiros passos no futebol. Mesmo muito novo, ele chamou a atenção de dona Maria pela habilidade e também pela inocência de uma criança.
- O Assis (irmão mais velho de Ronaldinho) jogava no Grêmio, e o Ronaldinho entrava com ele antes dos jogos. Eu me apaixonei. Quando começou a jogar, ainda no sub-13, passei a acompanhá-lo, porque ele era bem novinho. Desde então, nunca deixei de torcer por ele. Era um toquinho de gente, agora cresceu, e eu peço a Deus todos os dias para cuidar dele.
Com ascensão meteórica no futebol, aos 21 anos Ronaldinho Gaúcho já desfilava seu talento pelos campos da Europa. Começou encantando o mundo no PSV Eindhoven, da Holanda, e ao mesmo tempo dona Maria Benedita começava a guardar tudo que tivesse relação com o craque.
- Tenho todos os 83 gibis do Ronaldinho Gaúcho que já saíram, os feitos pelo Maurício de Sousa. O dono da banca liga sempre que chega uma nova edição. Se faltar, eu dou bronca - diverte-se.
Além da coleção de gibis, que ela inclusive já começou a encapar e organizar em "volumes", é possível encontrar em sua casa fotos, recortes, pôsteres, figurinhas... Tudo comprado ou presenteado pelos filhos e pelo marido, José Luiz de Souza.
- A maioria da coleção dela eu ajudei a formar. Quando vê algo do Ronaldinho, toda a família já guarda para trazer. Os filhos deram a camisa do Atlético, eu compro os gibis, as filhas deram a toalha... - contou José Luiz.
Toalha da discórdia
Dentre o acervo de dona Maria, uma toalha se destaca. Presente de uma das filhas, a peça de banho do Barcelona com imagens de Ronaldinho, Messi e Puyol não pode ser usada por ninguém na casa.
- Eles ficam dizendo que vão pegar, mas é só para me provocar. Eles sabem que eu não deixo. Se precisar, até escondo.
Provocação é o que não falta na casa dos Mota. Ainda assim, dona Maria não pode reclamar, já que até um "crime" foi cometido por conta de sua paixão pelo atacante.
A mobilização da família em engordar a coleção da matriarca é tanta que, assim como Gaúcho nos gramados, José Luiz teve de usar a habilidade para driblar os olhos atentos de uma sala de espera de um consultório.
- Uma vez estávamos no dentista, e eu estava folheando uma revista quando vi uma foto do Ronaldinho. Tive que disfarçar e rasgar a página para levar o recorte. Se ela soubesse que eu vi e não peguei, brigaria comigo.
Bronca com Felipão
No dia em que o técnico da seleção brasileira, Luís Felipe Scolari, anunciou a lista dos convocados para a Copa das Confederações, dona Maria ficou irritada. Sem o nome de Ronaldinho entre os relacionados, ela começou a xingar e até ameaçou não torcer para o Brasil.
- Eu torço para qualquer time em que ele esteja, e na Seleção não é diferente. Não gostei de ele não ter sido chamado, mas depois fiquei mais calma. Ele já teve a chance dele e foi campeão do mundo... - lembra ela, referindo-se ao Mundial de 2002.
Se sobra bronca até para o treinador do selecionado nacional, imagine para os parentes corintianos. Comuns para os que gostam de futebol, as provocações também fazem parte do dia a dia da família.
- Não pode falar mal dele. Se for de verdade, ela fica brava. Só pode se for de brincadeira - explicou José Luiz, que teve o reconhecimento da esposa.
- Eles tiram sarro, brincam, mas é só para me chatear, porque também me ajudam. Tenho meu tesouro em tudo o que guardo dele, e devo muito isso a minha família.
Se depender da torcida da família mogiana e da paixão de dona Maria, o Atlético-MG já é o vencedor do segundo confronto da semifinal da Libertadores, contra o Newell's Old Boys, da Argentina - o Galo precisa vencer por três ou mais gols de diferença, nesta quarta-feira, no Independência, para chegar à decisão.
- Não conheço o outro time, mas acho que vai ser 3 a 0 para o Atlético. Meu sonho é conhecê-lo. Nunca fui a um jogo, só vejo pela TV. Todo mundo acha que eu grito demais quando ele joga, e eu grito mesmo. Mesmo longe, defendo de qualquer jeito.
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